Quarta-feira, 08 de setembro de 2010
 
 
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Mulheres na liderança - 09/03/2010
Cibele Montosa
Existe um fato concreto: as mulheres estão assumindo cada vez mais as funções de liderança tanto em cargos políticos, sociais, quanto religiosos. Estatísticas recentes no Brasil dizem que 60% das vagas nas universidades são ocupadas por mulheres. O tema liderança, contudo, está muito além da discussão de gênero. Mas o fato é que a projeção numérica aponta para um futuro mais ocupado pelas mulheres em posições de comando.
 
Em um sentido mais amplo, liderança pode ser definida como a capacidade de influenciar um grupo de pessoas. Chiavenato afirma que: “Liderança é uma influência interpessoal...na qual uma pessoa age de modo a modificar o comportamento de uma outra, de algum modo intencional...”. Nesta perspectiva é que analisaremos a liderança da mulher. 
 
A mulher foi criada numa época em que o jardim já estava formado, o homem também já estava ali. Quando abriu os olhos pela primeira vez, ficou encantada com a beleza da natureza ao redor, seu interior já nascera voltado para o outro. A partir deste ambiente algumas características foram impressas: beleza, feminilidade, sensibilidade, emotividade, delicadeza, senso de observação, senso de estética, intuição, interesse relacional, habilidade verbal.

Por estas características distintas nós mulheres exercemos liderança de maneira peculiar. Priorizamos pessoas ao invés de coisas. Esta característica favorece o relacionamento interpessoal bem como o trabalho em equipe.  

Como somos mais sensíveis ao outro nos envolvemos no dia-a-dia com as pessoas e com aquilo que as preocupam, facilitando um envolvimento mais pessoal e intenso.  Somos mais detalhistas e ligadas à estética promovendo um ambiente mais bonito e aconchegante. Somos observadoras, assim, podemos elogiar com maior frequência. Nossa intuição aguçada nos faz tomar decisões de maneira mais subjetiva, usando muitas vezes o nosso coração.

Nossas emoções a flor da pele cativam as pessoas ao nosso redor. Temos uma facilidade maior em reconhecer nossos próprios erros. Claro que se uma ou muitas características forem exageradas teremos problemas sérios em nossa atuação como líder. Por nos envolvermos com o outro, não sabemos delegar; por sermos sensíveis e emotivas, não nos saímos muito bem nos momentos de pressão; e como gostamos de falar, caímos muitas vezes no erro de apenas discutir o problema ao invés de resolvê-lo.

No livro de provérbios, capítulo 31, dos versículos 10-31, encontramos a descrição da mulher exemplar. Em casa dá ordens as suas servas, educa seus filhos com amor, ensinando-os e corrigindo-os de maneira sábia. Fora de casa, decide o que comprar ou não, investe seu dinheiro para que dê lucro, administra seu comércio de forma lucrativa, promove trabalhos sociais, cuida de seus familiares, trata de assuntos de negócios. Este é um exemplo prático de mulher que exerce nitidamente vários papéis de liderança em diversos setores da vida. Esta somos nós hoje, ou pelo menos tentamos ser.

Nós mulheres nos assentamos na primeira fila dos bancos da escola da vida em nosso papel de mãe. Aprendemos na prática o conceito de liderança servil baseada no amor. Precisamos administrar a agenda, cuidar dos mantimentos, nos ocuparmos com a gestão das notas escolares, cuidados com a saúde, aparência, e tantas outras demandas que os filhos nos impõem. Ao final o sucesso será a geração de cidadãos responsáveis, éticos, determinados a conquistar e cumprir seu papel. Nossos filhos são a principal, mas não a única escola que exercemos liderança na prática. Além da casa, dos filhos e do marido, lutamos na esfera profissional e cuidamos de nossa cadeia de relacionamentos.

Sou casada há 22 anos, mãe de três filhos e médica pediatra há 17 anos. Há dois anos comecei meu ministério como pastora juntamente com meu marido. Agenda lotada, atribuições variadas, vida intensa.  Acertos aqui, erros ali, concertos acolá. Neste começo de ministério me deparei com algumas situações interessantes.

No início percebi que as próprias mulheres tinham preconceito com a liderança feminina, com o tempo a resistência tem diminuído. Isto porque, quando ministramos a palavra, trazemos um ensino, oramos, aconselhamos, fazemos uma devocional, conduzimos uma reunião, em que muitas mulheres se identificam com os exemplos e com o estilo de linguagem, delicadeza, envolvimento emocional.

Muitos homens confiam e admiram mais algo proferido por uma mulher. Assim, concluo que, sem qualquer demérito aos homens, é necessário que mais e mais mulheres assumam seu papel de liderança!
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Cibele Montosa - Graduada em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana, com o curso de revalidação pelo Seminário Teológico Rev. Antônio de Godoy Sobrinho. Graduada em Medicina, com especialização em neonatologia (recém-nascido) e em terapia intensiva neonatal.
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Texto publicado originalmente em www.institutojetro.com
 
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